É um lugar-comum a muitos tempos.
Na verdade, não me parece que tenha sido assim tão grande revolução separar o espaço do tempo. Foi mais uma materialização de uma coisa que já acontecia antes, uma simplificação de um processo mental.
Porque cada pedra da rua é a mesma pedra desde que eu a pisei pela primeira vez. E segunda. E terceira.
Pergunto-me se de todas as vezes deixei lá algo de diferente. Se há uma marca das minhas sucessivas passagens: dos dias em que corri, em que saltei, em que chovia, em que nevava, em que o sol era tórrido e o amor também. E dos outros, de todos os outros. Será que quem passa por ali sabe disso?
Será que quem passou comigo ainda se lembra?
Quem me dera que estejam todos lá. Porque se só existirem na minha cabeça, repetidos e transmutados tantas vezes…
Se só existirem dentro de mim e em mais lado nenhum… como sei que não foram mera imaginação?
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10 Junho 2009
i talk too much when i’m nervouse because what i really feel like is being tottaly still. Rock-like.
so if i talk too much, you’ll hate me. But you’ll never find out the truth.
Eu gostava de saber mais sobre deus, porque não tenho fé.
E invejo profundamente aqueles para quem é tão natural acreditar.
E gostava de saber mais sobre deus, para me sentir mais perto dele(s)
Mesmo estando longe.
But now my soul hath too much room —
Gone are the glory and the gloom —
The black hath mellow’d into grey,
And all the fires are fading away.
EDGAR ALLAN POE – A ROMANCE
Há coisas que não são comparáveis. Tu e eu, por exemplo.
As pessoas têm sempre razões para ser como são. Há coisas que conseguem mudar, outras que não.
E há outras que simplesmente não podem ser como são.
Mas como eu ia dizer da outra vez, a felicidade, a satisfação, é o que todos queremos.Desde que nascemos, queremos. Desejamos. E o que no início é instinto, passa a racionalização.
“Se acontecer isto eu serei feliz. Se acontecer aquilo eu serei feliz.”
E assim a felicidade torna-se o nosso objectivo. Queremos as melhores notas, ou os melhores amigos; o conhecimento ou o amor, a sorte no jogo, o carro desportivo, ou as mamas mais empinadas. Porque com isso seremos felizes.Na verdade, muito difícilmente qualquer uma dessas coisas nos fará feliz. Se nos faz, momentaneamente feliz (e isto já com a sorte de não ter um trago a desilusão), não nos faz para sempre. Não precisamos só de dinheiro, precisamos de amor. Não precisamos só de amor, precisamos de respeito. E aí vem o óbvio a martelar-me na cabeça.
“Depois do dinheiro, tudo se segue.”
Será? Então porque é que as pessoas ricas não andam aí aos pulos de felicidade? Porque o dinheiro é bom, principalmente como moeda de troca para as coisas que achamos que nos vão fazer feliz. Mas daí.. as coisas que nós achamos que nos vão fazer feliz, não nos fazem para sempre. Não são suficientes. O óbvio, em tom sarcástico.
“Se não são felizes os ricos, é porque são burros, porque não sabem dar valor ao que têm”
Não querendo incorrer ao “quem é que dá verdadeiro valor ao que tem”, surge-me outra: como é que descobrimos quais são as coisas que nos vão fazer mesmo felizes, num universo inesgotável de sonhos? Como é que descobrimos O caminho, aquele que supostamente nos vai iluminar até à felicidade?
Confontadas com esta pergunta, a maior parte das religiões e filosofias tem uma resposta muito pronta, e altamente inteligente: na outra vida. No outro lado. No verdadeiro lado. Sim, porque talvez eles soubessem que na verdade, a felicidade é um mito. A felicidade é a satisfação que temos, não necessáriamente ao viver as coisas, mas a sonhar com elas.
Antes achava que as pessoas que acreditavam verdadeiramente em alguma coisa, que acreditavam em algo que não podiam ver, nem cheirar, nem comprovar, era uma das maiores felicidades do mundo. Achava que as pessoas que tinham fé, deviam sentir-se mais felizes. No fundo, porque achava que estavam mais apoiadas, mais seguras.
Mas quem foi que me meteu na cabeça que a felicidade é segurança?
Perante a incerteza, só podemos ser incertos também. Como dizia o outro, “be the water”. Será que ele tinha razão? Será que a constante transformação é o caminho? Será que é possível um ser humano viver em constante revolução? Será que já vive?
Parece-me agora que até as perguntas são fruto de um excessivo desejo de racionalização.
Superados todos os subterfúgios, queremos ser felizes. Daí derivam todas as outras coisas, os degraus que precisamos de subir para alcançar a plenitude. E todos os animais têm esta metafora incrustada nos mais pequeninos comportamentos: a satisfação. A felicidade não passa, cá para mim, de uma satisfação escondida num enleado de racionalidades, de que tanto nos orgulhamos.
É verdade, por mais que diga que não gosto de pensar demais, quantas vezes já me orgulhei da minha compreensão? Quantas vezes já pensei – eu percebo isto. Quando na verdade, a percepção objectiva de algo, é algo completamente inatingível. E o que é que eu estou a fazer agora? A racionalizar. Porque esta é a nossa forma de (não responder a mas de) controlar a pergunta. A pergunta abre um mar de incertezas, dúbias, descontroladas. Esta realidade (e digo-o assim porque me parece que nenhum animal ou planta lida lá muito bem com a incerteza) não está preparada para viver no caos permanente. Por mais que gostemos do caos, não nos conseguimos libertar do racionalismo opressor que nos impede de observar sem criar um pensamento, uma palavra, uma reacção, que desencadeam outras tantas.
E será que devemos, controlar? Não será este desejo do controle do raciocínio apenas mais uma tentativa voraz de possuir, mandar, escolher? A necessidade de controlar os nossos impulsos de controle é só mais um deles.
E por isso, a felicidade é simplesmente satisfação, um impulso natural, e não tentarei mais classificá-la.