Vestiário
17 Janeiro 2009
Deixa-me lá ver. Vá, abre a cortina!
Hum.. fica-te bem esse sorriso. Combina com a tua pele… bom, sim, talvez se possa fazer a baínha… recortar-lhe um pouco as arestas… prontos, prontos, experimenta lá o outro.
Então? Mostra!
É esse! E ainda por cima, a esse preço! Sorrisos como esses nem costumam ficar nas prateleiras muito tempo! O quê? Não é nada. Assenta-te perfeitamente! Não! OK, tu é que sabes. Mas só falta mais um, não é?
(…)
O quê, chamas a isso um sorriso? Epa… Mas… sim… ok, tu é que sabes. Vamos lá pagar então.
[$$]
Estás feliz! Bom, ou isso.
Como ponto-de-cruz
11 Janeiro 2009
- Oh – é verdade! – digo eu a mim mesma (mas a exclamação, demasiado dramática e pouco entoativa – soa a falso até às formigas).
Posso até desculpar-me, sabiam? Posso até dizer que esta doçura, esta calmaria, apazigua o coração e a mente de quem a toma por sua… (oh… – (agora sim!) - antes o fosse para mim também.)
Esta brisa é doce, suave, sedosa e leve. É tépida, macia, abraçável e beijável (desde que com respeito). Sim – este estado de vida é respeitável. E nem é o caso do adoçicado ser demasiado açucarado, daqueles que coçam o nariz.
É peluche sem costuras, é enchimento de penas.
São as minhas penas que estão dentro da almofada.
- Oh! Não consigo voar! – suspiro asfixiadamente.
(Fui sufocada)
Ele gosta das suas mulheres como gosta de um copo de leite – branco, frio, do dia. Mas tem dificuldades em interpretar os sinais. Por isso baixa a cabeça e pressiona as teclas do computador portátil a uma velocidade vertiginosa.
A necessidade de eleição
3 Janeiro 2009
O cuspo da tua boca não és tu.
Ou és? (Cheiro)
Uma erva daninha escorre-me do nariz e responde baixinho – não oiço. (engulo)
Desgosto do tom cínico. Degusto as tuas palavras de novo, até que já só me sabem a muco.
- Não sabes a nada. (Cuspo)
[Uma larva branca escorre-lhe pelas faces vermelhas.]
- Não me fermentas o ego – responde – não adoças os meus extractos! Sou eleito, em prova cega, por qualquer um!
“Casta rara, aroma único, bem proporcionado, suave, fino, sofisticado.”
E tudo o que sabes dar é isso? Talvez te tenha bebido depressa demais.
“Quem tiver a sorte de o provar deverá fazê-lo atentamente de modo a apreciar tudo de bom que há dentro de cada garrafa antes de chegar às notas vazias que não amparam a fruta.”